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/1 min de leitura/Paulo Souza

Análise de sobrevivência no campo: o que Kaplan-Meier revela sobre seus ensaios

Nem todo evento agronômico é um número médio. Quando o que importa é quando algo acontece — e quantos chegam até lá — a análise de sobrevivência conta uma história que a média esconde.

EstatísticaModelagemSobrevivência

Quando avaliamos um ensaio, é tentador resumir tudo em uma média: produtividade média, tempo médio até a emergência, incidência média de uma doença. Mas a média esconde o tempo — e no campo o tempo costuma ser a variável mais importante.

O que é análise de sobrevivência

A análise de sobrevivência estuda o tempo até um evento: a emergência de uma planta, a primeira ocorrência de uma praga, a falha de um tratamento. Sua força está em lidar com dados censurados — observações em que o evento ainda não aconteceu até o fim do experimento.

Ignorar a censura (descartando essas observações ou tratando-as como "não aconteceu") enviesa qualquer conclusão. Kaplan-Meier foi feito justamente para isso.

A curva de Kaplan-Meier

O estimador de Kaplan-Meier constrói uma curva de sobrevivência que mostra, a cada instante, a fração da população que ainda não viveu o evento:

library(survival)
library(survminer)

fit <- survfit(Surv(tempo, evento) ~ tratamento, data = ensaio)
ggsurvplot(fit, conf.int = TRUE, pval = TRUE)

O pval testa, via log-rank, se as curvas dos tratamentos diferem de forma significativa — respondendo à pergunta prática: este manejo realmente adia a ocorrência do problema?

Por que isso muda decisões

  • Dois tratamentos podem ter a mesma média e curvas completamente diferentes.
  • A censura é tratada corretamente, sem jogar fora informação cara de coletar.
  • O resultado é interpretável por quem está no campo: "70% das parcelas seguem sadias aos 60 dias".

Foi exatamente esse tipo de leitura que expandimos no projeto de Análise de Sobrevivência do portfólio — levando um método clássico da bioestatística para a rotina do ensaio agronômico.

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